sábado, 13 de Junho de 2009

O meu primeiro amor...

...faria hoje 121 anos. Brindemos à Pessoa.

*
OXFORDSHIRE

Quero o bem, e quero o mal, e afinal não quero nada.
Estou mal deitado sobre a direita, e mal deitado sobre a esquerda
E mal deitado sobre a consciência de existir.
Estou universalmente mal, metafisicamente mal,
Mas o pior é que me dói a cabeça.
Isso é mais grave que a significação do universo.

Uma vez, ao pé de Oxford, num passeio campestre,
Vi erguer-se, de uma curva da estrada, na distância próxima
A torre-velha de uma igreja acima de casas da aldeia ou vila.
Ficou-me fotográfico esse incidente nulo
Como uma dobra transversal escangalhando o vinco das calças.
Agora vem a propósito…
Da estrada eu previa espiritualidade a essa torre de igreja
Que era a fé de todas as eras, e a eficaz caridade.
Da vila, quando lá cheguei, a torre da igreja era a torre da igreja,
E, ainda por cima, estava ali.

É-se feliz na Austrália, desde que lá se não vá.

Álvaro de Campos
*

4 coisas:

Stormy Mind disse...

Um brinde a Pessoa!

Roxanne W. disse...

Encho-te o copo de sangria até à borda, ergo-o o meu, sorrio e brindemos ao Pessoa...

Táxi Pluvioso disse...

O poeta que realmente compreendeu a alma lusa foi António Botto... Pessoa perdeu-se na aguardente.

We Have Band, ou o vídeo.

joan@ disse...

li isto pela primeira vez há muitos anos e nunca mais esqueci esta frase perfeita: "Estou universalmente mal, metafisicamente mal,
Mas o pior é que me dói a cabeça."
Um génio absoluto!