EXT. DIA - RUA PEQUENA COM MORADIAS E POUCO TRÂNSITO
(À janela de uma delas está D. Ivone, 60 anos, avental por cima de camisola azul a sacudir um tapete. A passar vem D. Ivone, 60 anos, chinela tipo enfermeira azul, bata azul por cima da blusa e xaile castanho por cima da bata. Pela mão trás a neta, 4 anos, calções de licra cor de rosa, um tótó no alto da cabeça, sandálias da loja dos trezentos em plástico rosa e a lambuzar-se com um gelado que lhe suja as redondezas da boca e o nariz.)
D. Idália - Ah nina, onde fôtes?
D. Ivone - Ai, melhér, fui ali ca nha neta comprar um rajá e uns àugurtes à D. Maria Alice e né k paguê 400 mérrés prestas cosas sê impertância?
D. Idália - Prum xaráli?
D. Ivone - Pujêtes! Fiquê entoada. A gente sabêmes quéla tê que pagar a tenantice do filhe. Vêja lá você queu tava a saquedir as redilhas no Demingue de manhã e tava aquela alminha a chegar a casa cuma piquena.
D. Idália - Ai, que jêtes?
D. Ivone - Atão, vinham no carre dêl e tude. Ache quélé filha do Zé dos Pés Tortes, ali da TiMarimila.
D. Idália - Atão na sê tão bê quê é? Mas a pariga na tinha um namorade das Caldas?
D. Ivone - Ah, pá, o Zé dos Pés Tortes empachou o namore tode aos piquenes. Apanhavó lá em casa e mandavó desamparar a loja e deslargar a filha dele que nera pó bique dele.
D. Idália - Ai, na póde!
D. Ivone - E prontes, parece ca piquena lhe disse quele era desensaibido e quertaram relaçõs.
D. Idália - Na cóssigue acreditar co filhe da D. Maria Alice namora ca filha do Zé dos Pés Tortes. O Xico Amarelejo já sáb disse?
D. Ivone - Pobre do Xico Amarelejo, já sembaralha tode, né? Aquéla cabeça já na dá nada.
D. Idália - E inda tem uma neta canda aí pas dunas cô uns e cô outres... Olhe, é uma tresteza, é o qué...
D. Ivone - (Para a neta que brincava no chão) Vanessa Sofia, sai do pial que vê aí um carre! Já te disse pa na xincares no lixe! Levas uma sova nesse cu! Até trusse a quelher de pau e tude. Já pséts isse no chão ou qués levar?
D. Idália - Vou ver o Malato. Inté, Ivone.
D. Ivone - Ai o caralhe da miúda. Anda cá!
9 comentários:
Hm um belo xarali de morango e laranja, os belos dos calções delicra cor de rosa (dos quais tu tinhas uns verdes), os belos penteados q a tia me fazia...
Diiiiiii q tristes! =p
*
e eu que dizia que as expressoes cá da terra eram fodidas de perceber.... ;p
deve ser lindo ouvir um tipico "penichense"(não sei como se diz) a falar... :)
ah...desde já acho legitimo o facto de voces gozarem co nosso sotaque...
palavras como:
catchopa(rapariga pequena);
molete(vulgo pão);
hóme(marido);
bolha(maricas);
tóne(azeiteiro aka pimp);
dar a tranca(fornicar);
....e muitas outras...
a lição de valonguense terminou por hoje! :)
É quase como ver o "national geografic".
-"Now... we are here.. to see the species and their natural behaviour, as we speak!!" David vaitimbora
À 'pariga, atão quejêtes chcreveres 'ma cousa destas?! Atão na vês quisse é a côme falar mal da c'dade!? Assim aquelas gentes da Lisboa avão guesar com as gentes, ó!
Coisinha, ó coisinha! Vai prá caaasa ó!
*kiss dum carapau duma sardinha*
agora a sério:
LOOLOLOOOOOLO! ;)
OK, está mesmo mt bom.
Já me fizeste ler isto três vezes...pq cada vez que leio consigo imaginar a cara de uma certa pessoa de peniche a falar com uma vizinha qualquer daqui por uns aninhos(e na digue o nôme, para na ferir a alminha)... No fim só tenho mais vontade de rir e ler outra vez!
BAHAHAHHAHAHAHA!
5* mesmo
Eu já vou e tu? :P
já fagora pedia solidariedade, e agradeçia um pacote de batatas-fritas pa matar a fome! sim porque gastei o meu graveto todo nesta maluqueira...
:S
como penicheira que sou não m posso abster a comentar este post. Tá lindo! isto sim é levar uma estalada de volta ás raízes katé dói!! aviso a qualquer visitante incauto da minha bela terra natal que numa qualquer esquina da cidade se pode ouvir um discurso deste estilo ou quiçá melhor, se bem ka nossa s.b. tocou em todos os pontos fulcrais menos no "ó coisinhe!" relembrado plo r.g. bela terra sim senhor, é uma coltura k só!
genial !
Enviar um comentário