sábado, 30 de julho de 2011

As pessoas olham-me de lado quando escrevo nos transportes, como se eu planeasse algo, como se soubessem que às escondidas lhes sorvo vida.

6 comentários:

DC disse...

Revejo-me na frase mas substituiria "escrevo" por "desenho", já que escrever/ler nos transportes cria-me náuseas, mas desenhar já não.

Escrever só tem nexo, para mim, abraçado à noite.

Pedro Sousa disse...

Agrada-me essa ideia de que naquele momento lhes poderás ditar a restante jornada. Talves temam por antecipação um eventual tropeção à saída do metro, um injustificável atraso ao chegarem ao escritório, uma indesejada indigestão numa qualquer área de restauração do habitualmente confiável franchise... Nesse momento não se ficarão pelos olhares e amaldiçoarão o teu moleskine.

Não te deixes embriagar por tanto poder, Sónia.

Anónimo disse...

Suspeito que o problema seja a falta de estatuto de divindade, porque nesse caso, grande parte das pessoas sente-se perfeitamente confortável com o facto do seu desígnio pertencer a alguém que não a eles.

Carlos Luís Ramalhão disse...

É tão verdade o que escreveste. Talvez o tenha sentido em Inglaterra ainda mais do que aqui, em Portugal, o que é curioso.

Maria Quintans disse...

sorver a vida. é belo.

Táxi Pluvioso disse...

Não. É um olhar bovino, não olha nada em específico.