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domingo, 27 de setembro de 2009

Pedro Costa

The Pedro Costa retrospective currently underway at the Tate Modern (through October 4) occasions two pieces in the new issue of Sight & Sound and an announcement from Criterion: a box set including Costa's Fontainhas Trilogy - Ossos, In Vanda's Room and Colossal Youth - as well as the shorts Tarrafal and The Rabbit Hunters will be released in early 2010.

"I now believe that his career arc is one of the most fascinating in modern cinema," writes the Guardian's Peter Bradshaw.

Ler tudo aqui.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Olhos que não vêem...

Nestes dias uma pessoa não pode mesmo abrir o Reader. Nas mil fotos da Feira do Livro os meus olhos vão direitinhos às indumentárias veranescas. Ele é só t-shirts e vestidos, bonés (!) e sandálias. O pior de tudo é ainda me estar demasiado clara a imagem de mim mesma a descer e a subir e a descer outra vez o parque e o calor ao fazê-lo e as mãos cheias de pó e a mala a pesar e o Tiago ou a Elisabete e gelados da Olá.
Hoje fiz uma coisa triste. Fui fingir para a Borders de Charing Cross que não me importava de não estar em Lisboa, mas fiquei logo maldisposta pela travessia via corredor das biografias (a maioria seria tão mais útil numa fogueirinha) em busca de Charlotte Delbo, que afinal não estava lá nem em mais lado nenhum, ao contrário do que dizia o site. Mas pronto, depois de umas horas de clássicos e teatro lá me acalmei. Não tenho sol mas tenho os preços baixos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Marketing Extremo


Não sei se isto diz mais acerca do desespero do mercado livreiro inglês ou da relação que os ingleses têm com o álcool, mas esta foto que tirei por altura do Natal à montra da agora fechada Murder One de Charing Cross é qualquer coisa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Marylin wannabe

Agora que já está no utube posso finalmente embedar (nunca sei como traduzir este verbo) aqui o videoclip dos Red Light Company em que entro. Arts & Crafts:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

E mais NEVE!

Da janela do meu quarto.


10 a 15cm de neve.


Uma família a brincar no canal que fica nas traseiras cá de casa e gansos.


Eu em modo rapazinho/ardina e ganso.

Não tenho é foto do miúdo que convenceu a mãe a levar o boneco de neve num saco de plástico para casa.

NEVE!

O meu trabalho hoje foi cancelado por causa da neve. Londres está assim:





(Imagens da Reuters).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Crítica pendendo para crónica pendendo para short story

A Judd Books fica em Marchmont Street, uma rua inesperadamente pacata entre Euston Road e Russel Square, na literária zona de Bloombsbury. Foi o Pedro que me falou dela, mas nunca fui lá acompanhada, o que deve contribuir para o facto de nunca dar com a livraria à primeira. Não que seja difícil de encontrar, antes pelo contrário, mas esqueço-me recorrentemente de que, apesar do nome, não fica na Judd Street, paralela da que a acolhe. A sinalizar a loja, o toldo verde protege do sol (ou protegeria, se o houvesse) uma banca de livros colocados em caixas de madeira do lado de fora da montra sob as categorias de ficção, não ficção e outras línguas. Começo, como sempre, por passar os olhos por aqui e perco algum tempo a tentar ler as lombadas, missão complicada dada a arbitrariedade da posição dos livros e que sei inútil: é aqui que colocam os livritos que não interessam, razão pela qual não têm ninguém do lado de fora a policiar eventuais roubos. A porta está fechada, provavelmente por causa do frio, mas consigo antever através do vidro o mar de livros que me aguarda. Não que a loja seja grande, ou sequer espaçosa, mas está atulhada até ao tecto em todas as paredes, sendo claro que o espaço está aproveitado de forma a suportar o maior número de livros possível. Entro. Do lado de lá da porta um súbito silêncio. O meu corpo habituado ao frio arrepia-se com o calor. Sou uma intrusa e há um certo prazer nisto de invadir a biblioteca de alguém com bom gosto. Junto à porta surge no meio dos volumes uma secretária também ela com pouco espaço livre onde o Mochamad espera que alguma das cinco pessoas degladiando-se nos mínimos corredores para chegar à prateleira que lhes interessa compre ou pergunte algo. Não vai ter sorte comigo, não vou em busca de nada em concreto e não tenho pressa. Passo por aqui sempre meio a correr, sempre a adiar o deslindar destas paredes de papel e já tinha decidido bem cedo que hoje seria o dia. Começo pela ficção tomando de assalto esse corredor improvisado - o espaço é tão reduzido que se paro a ler lombadas mais ninguém pode chegar aos livros à minha frente ou atrás de mim, e tão pouco pode alguém passar no corredor que bloqueio. Percorro minuciosamente as três estantes de ficção ordenadas alfabeticamente e sinto que o mundo, aqui, apesar de ser barato, faz sentido, ao contrário da maioria das lojas de livros em segunda mão, que os acumulam sem se darem ao trabalho de os organizar dentro das categorias. Em homenagem a isso, e na esperança de verdadeiras pechinchas, vejo com calma cada título. É preciso sorte. Vou encontrando autores e obras que fazem parte da lista mental de falhas a colmatar, mas nada suficientemente cativante para me demover do meu objectivo: comprar prendas de Natal. Apesar disso, pondero nas coisas que quero ler em inglês. Os russos não. Os franceses não. Abro muitos dos livros só para verificar o preço. A maioria custa 3 libras e 95 pence, diz-me o lápis na primeira página até de livros que não têm nada ar de já terem sido usados. Alguém pergunta por Doris Lessing. O Mochamad pede-me licença para chegar ao L. Não encontra a obra pedida, mas diz ao homem de sobretudo que têm outros títulos. O homem não o leva a sério e fala para uma porta entreaberta na parede oposta à da montra. De lá confirmam o que o Mochamad já havia dito. Sorrio na ideia de que alguém na loja sabe todos os livros que possui. O homem de sobretudo sai desiludido. Ocorre-me que este acontecimento descreve bem o espírito da Judd Books: não terá certamente tudo o que procurarmos, mas é impossível sair de lá sem ter dado com uma pérola que até já nos tínhamos esquecido de querer. Nem de propósito, chegada à área de poesia dou com Poesia Completa de Àlvaro de Campos e Poemas Completos de Alberto Caeiro em português e fico um pouco tocada com a coisa, não que os vá comprar - numa das Feiras do Livro Manuseado da Assírio & Alvim comprei tudo o que me faltava da obra publicada do Pessoa -, mas é um quentinho a língua e o mestre aqui entre os Shakespeares e os Keats, e ao dobro do preço destes. Giro o meu corpo para a direita e passo das secções de poesia e teatro, lado a lado numa esquina a que ninguém tem acesso enquanto eu por lá estiver, à crítica literária. Quando chego aos estudos culturais, já estou sem paciência para ler todas as lombadas. Faço zapping e sigo para arquitectura e artes plásticas, onde me demorarei muito pouco. Passo pela porta entreaberta revelando o que deveria ser um escritório mas está tomado de assalto pelos livros. Dois homens em pé conversam, um deles apoiando os punhos numa pilha de caixas coberta de livros empilhados. É claro pela desordem e pela luz fria que aquele é um espaço completamente diferente deste em que me é permitido estar. De costas para as escadas que levam ao andar de baixo, vejo a oferta da área de cinema. Apesar da paciência em franca desaceleração, estou demasiado interessada para não ler todas as lombadas. Começo por cima, em bicos dos pés ou chegando-me para trás. Pergunto-me há quanto tempo estarão aqueles livros inatingíveis nas prateleiras superiores. Sinto o Mochamad a olhar para mim. Apercebo-me de que não está mais ninguém na loja. Procuro o telemóvel no bolso e já passa das 7 horas. Não sei como mas acabaram de passar a correr duas horas por esta sala mínima atafulhada e eu, com um único livro debaixo do braço, pondero sobre algumas lombadas e ainda me atrevo a puxar alguns da estante. Um homem com cerca de 50 anos dá à manivela para recolher o toldo verde lá fora. Lembro-me do frio que me espera. Olho o único livro que tenho carregado comigo secção atrás de secção e está decidido que pelo menos este vai. Não possuo nenhum exemplar, por isso deixo para decidir depois se serei capaz de o oferecer no Natal. Devolvo os livros de cinema à prateleira. O Mochamad desvia o olhar. Em vez de ir directa à secretária que serve de caixa, dirijo-me ao seu lado direito, que me falhava, para passar os olhos pelos catálogos de museus. Sei que não vou querer nada mas assim fica tudo visto no andar de cima. Passando mal com a minha mala gigante e pesada pelo sinuoso caminho de livros equilibrados na ponta de estantes, chego à frente do Mochamad. Tem um ar bastante calmo. Quase sorridente apesar de eu estar a atrasar a sua hora de saída, o que em Londres é muito mal tolerado*, espera que lhe entregue o livro. Pouso-o na mesa e ele pergunta-me simpaticamente se tenho a certeza. Digo que sim e sorrio atrapalhada sabendo que a pergunta dele não buscava qualquer resposta. Ele anota o autor e o título numa folha A4 pautada onde figuram já umas 20 entradas. Pergunto-me se eles venderão bem. Dá-me o troco e pergunta-me se quero saco. Digo que não, obrigado. Reparo que desta vez não tive direito ao marcador personalizado da loja. Aposto que é por causa da demora. Na mesma sorri-me enquanto guardo o troco. Tento despachar o processo de fechar carteira e mala. Ele olha-me, esperando o derradeiro obrigado, mesmo apesar de eu já ter agradecido. Não posso dizer adeus porque não vou poder partir logo depois, por isso sou forçada a este hiato estúpido no discurso entre o final da transacção e a minha capacidade para seguir com a minha vida. Ele aguarda, como deve ser, seguindo a mesma regra irritante que os caixas do Sainsbury's, que aguardam que coloque tudo nos sacos antes de passarem ao cliente seguinte, o que a mim me parece hostil. Quero fugir à pressão da rapidez que estes executantes inertes me exigem dos seus pequenos tronos enquanto se deleitam com os meus movimentos autoconscientes. Falho. Fecho finalmente a mala. Olho para ele e cumpro o meu dever: anuncio com o desejado thank you que agora é que parto de facto. Ele sorri com o mesmo ar sereno. Sorrio de volta frustrada por não ter ainda engendrado forma de escapar a este constrangimento. Ele não podia estar mais satisfeito. Volto costas e sei que o Mochamed vai continuar ali sentado para sempre, fechado nesta história. Passo a porta já a retrair-me na expectativa do frio, calço as luvas e o homem de 50 anos desmonta a bancada. Mais uma vez não consegui passar do andar de cima. Projecto a próxima visita e sei que vou ter de percorrer as prateleiras em constante mutação mais uma vez. Para a próxima venho mais cedo. Sigo para Euston Road por um passeio largo e vazio sem saber bem porque é que isso me sabe bem e medito sobre como seria trabalhar numa livraria assim. Com a infância na barriga caminho para o metro.

*Fica para outro dia a descrição das formas agressivas e nada bem-educadas com que seguranças, caixas, empregados e pessoal da limpeza escorraçam os clientes das lojas quando faltam 15 minutos para a hora de fecho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Hoje vou dizer adeus por um ano a um amigo que se atira oceano fora porque os sonhos não cabem nas fronteiras que lhe inventaram. Não vai haver Natal, nem aniversários, nem passagem de ano, nem conversas de olhar e ver às 3 da manhã, nem ao fim da noite a viagem a encostar em reconfortante silêncio nas curvas da cidade moldada pelo rio a dor comum de um presente insuficiente a esvair-se para um tempo que talvez controlemos. Caminhamos. E ele um passo duas vezes maior do que o meu, do tamanho da Argentina.


sexta-feira, 18 de julho de 2008